Ex-ministro Gilson Machado anuncia encontro de Bolsonaro e Trump em Washington

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) embarcou para Washington, capital dos Estados Unidos, nesta sexta-feira, e encontrará com o ex-presidente americano, Donald Trump, neste sábado. A informação foi publicada pelo ex-ministro do Turismo Gilson Machado nas redes sociais. Em Orlando, na Flórida, desde o final do ano passado, este será o primeiro encontro entre os antigos chefes de Estado.

"Decolando agora para Washington ao lado do Pr Bolsonaro, hoje sem dúvida o maior líder conservador do planeta. Temos tido reconhecimento por pessoas não apenas do Brasil, mas também de vários outros países por onde temos passado. Vamos participar do maior encontro conservador do mundo, o CEPAC. Teremos palestra dele as 14:00 amanhã, depois teremos encontro com o Trump e assistiremos a palestra do ex-presidente dos EUA às 16:00", escreveu o ex-ministro.

Os ex-presidentes do Brasil e dos Estados Unidos se reunirão junto a lideranças da direita mundial. Anteriormente, a presença de Trump já havia sido confirmada no site da Conferência Anual de Ação Política Conservadora (CPAC, da sigla em inglês). O ex-presidente americano dará uma palestra no evento. A participação de Bolsonaro foi publicada pelo jornal Washington Examiner. De acordo com a publicação, o brasileiro concordou em falar para a plateia.

Os deputado federais do PL, Eduardo Bolsonaro e Julia Zanatta, também estão confirmados no evento. O filho do ex-presidente dará uma palestra.

Alinhamento

Ao longo de todo o seu mandato, Bolsonaro e sua base sempre replicaram as atitudes de Trump. Assim como o norte-americano, o brasileiro já chegou ao poder semeando dúvidas sobre o sistema das urnas eletrônicas. Um ano após a posse, o então presidente afirmou "ter provas" de que teria sido eleito no primeiro turno das eleições de 2018, mas nunca apresentou nenhuma comprovação.

Com o passar dos anos, Bolsonaro e Trump alastraram o movimento por suas bases de apoio. Às vésperas da eleição nos EUA, Trump convocou seus apoiadores a fiscalizar os locais de votação, movimento depois copiado pelos bolsonaristas:

— Estou pedindo aos meus apoiadores que compareçam aos locais de votação, observem com muita atenção. Se for uma eleição justa, estou 100% a favor. Mas se vejo dezenas de milhares de cédulas sendo manipuladas, não posso concordar — disse Trump em debate contra Biden em frase que foi repetida quase que na íntegra por Bolsonaro ao longo de todo o período eleitoral.

Trump e Bolsonaro se recusaram a aceitar o resultado das eleições. Na madrugada seguinte às eleições americanas, Trump disse que teria tido fraude na disputa. Mais contido, Bolsonaro demorou 45 horas para se manifestar, mas também não reconheceu a vitória de Lula.

A atitude se manteve até a posse, quando os dois, inclusive, romperam com a tradição e não passaram a faixa para seus sucessores. Nos Estados Unidos, Trump foi o primeiro em 150 anos, enquanto Bolsonaro foi o único presidenciável após a redemocratização a não reproduzir o gesto.

Como resultado da tensão pós-eleitoral, os ânimos se exaltaram nos dois países. A invasão ao Capitólio no dia 6 de janeiro de 2021 ganhou uma versão brasileira ainda mais violenta. No dia 8 de janeiro, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

Em 2022, o americano fez uma postagem de apoio à reeleição de Bolsonaro em sua própria rede social, a Truth Social, na qual o chamou de "Trump Tropical".

Fonte: Luísa Marzullo - O GLOBO